Melancolia (que não sai de mim, não sai)

Bem, tenho visto muita gente falando sobre o filme ‘Melancholia’ de Lars von Trier por aí e resolvi fazer um post. Na verdade, eu pensei em fazer um post logo que assisti ao filme, há mais de um mês. Mas a verdade é que não consegui. Não saberia o que escrever. Na verdade, nem agora sei se sei o que escrever. Mas me deu vontade. Pelo menos.

Devo confessar que minha primeira reação após o término do filme foi: – qqqqqqqqqqqqq. Mas depois parei pra pensar e as conversas com o namorado ajudaram muito também. Sempre gosto de discutir temas profundos com meu namorado, a gente tem idéias parecidas, ou idéias totalmente divergentes mas sempre sai uma boa conversa. Enfim. Não to aqui pra falar do filme, fazer resenha nem sinopse. Na verdade nem sei o que falar.

A atuação de Kirsten Dunst está impecável. Na verdade, a de todos os atores está: Kiefer Sutherland me surpreendeu muito, não sei porque mas nunca o imaginaria num filme desses só consigo pensar em Jack Bauer.  O negócio do filme é prestar atenção no que cada personagem representa, nas nuances de cada um. É o tipo de filme que parece que alguns personagens foram colocados ali só pra “encher lingüiça” (eu ainda uso trema la la la), sabe? Mas não, é engraçado depois que acaba o filme você repassá-lo na sua cabeça e pensar: por que tal personagem era assim? E acaba descobrindo que cada um, em algum momento, foi crucial pra se chegar no desfecho. Um dos que mais me intriga é o pai de Justine (Kirsten Dunst), até agora não entendi bem a relação entre os dois.

Em todos os seus filmes, von Trier explicita muito radicalismo (Anticristo, Dogville, Os idiotas…): violência demais, sexo demais, podridão demais. Bem, em Melancholia você não vê isso. Você não vê nada “demais”. Parece que o único radicalismo evidente foi todo sintetizado na personagem de Kirsten, Justine. Justine é maníaco-depressiva. Para ela, “life on Earth is evil”, e a única solução é que a humanidade seja extinta. Interessante perceber também o descompasso entre os demais personagens e Justine. Vou tentar fazer uma analogia: imaginem uma balança de dois pratos. Em um deles, estão todos os outros personagens, e no outro, está Justine. Do início ao meio do filme, Justine é mais “pesada” do que todos os outros. A partir do clímax até o final do filme fica evidente como os pesos se alteram: de repente todos ficam mais pesados e Justine, leve. E observar também como, sutilmente, as relações entre as personagens se modificam. Principalmente aquela entre irmãs – Justine e Claire.

O diretor aborda um assunto que normalmente é tratado no cinema por filmes de ação: dilúvios, terremotos, mortes, terror coletivo, drama, choradeira…esse é o fim do mundo pros hollywoodianos. Von Trier monta seu filme em torno de uma mansão, num lugar quase inóspito. Lá vive a irmã (Charlotte Gainsbourg), o cunhado (Kiefer Sutherland) e o sobrinho de Justine. E os cavalos. Sim, os cavalos são importantes também, acreditem. E só. Como o fim do mundo é visto por uma única família. Uns céticos, outros inocentes, outros apavorados…

Infelizmente, muita atenção foi tirada do filme por conta dos comentários polêmicos e infelizes e nazistas de Lars von Trier durante o festival de Cannes esse ano. Shame on you, Lars!

Sinceramente? Não sei. Até hoje penso nesse filme. Definitivamente não se sai com uma sensação boa. É estranho, te faz refletir sobre coisas que você não quer refletir, ou tem medo. Tecnicamente, um filme muito bem feito. Um adjetivo? perturbador.

Alguém já assistiu?

L.

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2 opiniões sobre “Melancolia (que não sai de mim, não sai)

  1. Não tenho estômago para o tipo de cinema que o Lars Von Trier faz… Eu gosto de filmes leves! :~

    Esse eu até fiquei curiosa, depois que ouvi comentarem que fugia um pouco do estilo “over” dele (inclusive, você confirmou isso no post!), mas sei lá, esse negócio de sair perturbada de um filme não é a minha praia… Gosto que me faça pensar, mas de forma light!

    :*
    la-bacchante.blogspot.com

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