Pop Art

Quem nunca viu as Marilyn Monroes coloridas de Andy Warhol? Ou os “desenhos em quadrinho” de Roy Lichtenstein? Pois é, aposto que todo mundo já, ou pelo menos, a maioria de vocês…e não é por menos que esse tipo de arte é denominado Pop Art – a arte popular, é o famoso kitsch.

(Andy Warhol)

A arte pop surgiu como uma espécie de reação ao “hermetismo” da arte moderna, isto é, como a própria denominação sugere, arte pop é a arte popular, a arte do cotidiano, a arte que faz seu “espectador” se sentir em casa. Logo, seu campo de abrangência é muito mais amplo que o da arte moderna por abordar temas com que a grande maioria, senão a totalidade das pessoas é familiarizada.

A idéia de uma arte pop surgiu a partir de um evento realizado em Londres pelo Independent Group no Institute of Contemporary Art (ICA) em 1954-55 que decidiu discutir, como o tema do programa público da instituição, o ambiente comercial urbanizado. A idéia era tirar a cultura pop do “escapismo” e tratá-la com a seriedade da arte. Esses artistas desenvolveram o conceito de estética do descartável, aquilo que é belo é aquilo que dura pouco, que tem prazo de validade, o culto ao efêmero.

(Roy Lichtenstein)

São obras que representam o cotidiano, a rapidez com que as coisas acontecem no mundo desde a industrialização e a globalização cada vez mais evidentes. Utiliza-se recortes de jornais e revistas, propagandas, imagens que normalmente passam despercebidas aos olhos das pessoas. É o comum. Richard Hamilton, um dos expoentes do grupo pop da Inglaterrra, caracterizou os “princípios da nova sensibildiade artística” como sendo: popular, transitório, dispensável, de baixo custo, produzido em massa, jovem (direcionado à juventude), engenhoso, sexy, habilidoso, glamuroso e um grande negócio.

Há, por parte dos artistas, um grande interesse pelo presente, pois o presente é algo palpável. Todos podem fazer arte. Com essas características, o pop atraiu e continua atraindo muitos olhares e admiradores, que não são necessariamente parte da comunidade acadêmica artística – uma das críticas feitas por Clement Greenberg (um dos mais importantes críticos da arte moderna) ao kitsch. (ver GREENBERG, Avant garde and kitsch).

 (David Hockney)

Por que a obra de Warhol vale tanto? Seriam as cores vibrantes? A representação de diversas celebridades conhecidas pelo mundo todo? Seria ele e sua obra o símbolo dos 15 minutos de fama com que quase todos sonham? Ou a forma como que Warhol tira o significado, ou reformula este significado, de pessoas e objetos que individualmente são uma coisa e colocados em série, como fez Warhol, se tornam banais? As pessoas se identificam com essa banalidade, trivialidade da vida? Somos  mesmo tão superficiais que damos mais valor ao superficial que ao profundo, ao que nos faz filosofar, refletir? Warhol é a busca da superficialidade plena. Sem espaço para filosofias ou grandes reflexões. Era isso o que ele queria. Mostrar o que as pessoas e os objetos que representava eram: nada mais do que aquilo que se via. Seria uma crítica à sociedade norte-americana industrializante, rápida e sem conteúdo? Possivelmente não. Críticas pressupõem um pensamento mais profundo e questionador. Warhol era o que se via nele. E ponto.

(Tom Wesselmann)

(Latinhas de sopa Campbell – Andy Warhol)

Em uma exposição denominada Mr. America que passou por diversos países, inclusive o Brasil, no primeiro semestre de 2010, senti na pele (meu órgão mais superficial) o que Warhol pretendia. Mas suas pretensões comigo não deram muito certo. O que ele pintou, o que ele esculpiu e escreveu me fizeram pensar. Foi provavelmente a exposição que mais me fez pensar sobre mim, sobre o mundo em que vivo. Pela sua simplicidade. As pessoas só conseguem refletir a fundo sobre algo que têm conhecimento, que seja mínimo. Sobre a superficialidade, sobre como as cores me divertem, sobre como as coisas perdem sentido colocadas em série… Disso, todos entendem muito. Talvez em seu íntimo era exatamente isso o que ele pretendia, mas provavelmente não sabia. Ou não quisesse aceitar.

O conteúdo deste post foi retirado de trechos de um ensaio escrito por mim, Luísa Dalé Silva, em 9 de maio de 2011.

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L.

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6 opiniões sobre “Pop Art

  1. Pingback: A arte não é. A arte é como. « hey, ladies!

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